Professores se encontram na mostra que comemora os 70 anos da FAU, inaugurada no dia 17 de abril Por Leila Kiyomura - Editorias: Cultura Share on Facebook0Share on Google+0Tweet about this on TwitterShare on LinkedIn0Print this pageEmail Tocador de áudio 00:0000:00Use as setas para cima ou para baixo para aumentar ou diminuir o volume. download do áudio Ouça no link acima entrevista com a professora Anna Lana, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, sobre a exposição FAU 70 Anos, em cartaz no Centro Universitário Maria Antonia (Ceuma) da USP. A entrevista foi ao ar no dia 13 de abril de 2018, no programa Via Sampa, produzido por Heloisa Granito e apresentado por Miriam Ramos. Estudantes no prédio da FAU projetado por Artigas – Foto: Marcos Santos – Nossa, esse cabeludo aqui é você? E esse aqui sou eu? Não acredito. A surpresa dos sonhadores de 1968 diante do álbum de retratos exposto na mostra FAU 70 Anos – inaugurada no dia 17 de abril no Centro Universitário Maria Antonia (Ceuma) da USP para comemorar os 70 anos de fundação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP – trouxe de volta o bom tempo da geração de briga. Tempo em que os estudantes sonhavam em cursar Arquitetura e Urbanismo para planejar uma cidade mais humana. O histórico prédio da Rua Maranhão, doado à USP pela família Penteado. No alpendre, o então estudante Issao Minami (clique na foto para ampliar) – Olha, vou te mandar esse retrato meu que foi exposto na sala da diretoria –, promete o professor Issao Minami, na época um garoto de Mococa, interior paulista, conhecido pelo seu programa A Voz dos Estudantes. Veio para São Paulo com o sonho de ser arquiteto. “Quem está na janela, magro e cabeludo, sou eu. É a FAU Maranhão em 1970. Essa foto foi tirada pelo professor Cesar Bergstron e virou um pôster que, durante anos, ficou na parede da sala da diretoria”, conta. “Fiquei muito orgulhoso porque o diretor era o professor Nestor Goulart Reis Filho. Nessa época, participava do grêmio da FAU junto com o professor Júlio Maia de Andrade.” Minami está ali, de calça jeans boca-de-sino, cabelos até os ombros, no alpendre do casarão art nouveau da Rua Maranhão, onde atualmente funcionam os cursos de pós-graduação da FAU. “Em 1949, começou o novo curso de Arquitetura e Urbanismo da USP nesse prédio cedido pela família Álvares Penteado”, lembra o ex-estudante. “Luís Inácio de Anhaia Melo foi o primeiro diretor e foi o fundador da FAU, junto com Vilanova Artigas. Ele tinha uma visão urbanística, social e política de São Paulo, foi aluno de Ramos de Azevedo e tinha sido prefeito da cidade.” “Essa jardineira era a alegria dos estudantes. Fomos para diversos lugares, Curitiba, Salvador e até para a Argentina.” – E vocês lembram da jardineira da FAU? –, questiona Luiz Fernando Manini, arquiteto responsável por inúmeros projetos na cidade e no País. Na década de 1970, associou-se ao escritor Joaquim Guedes, professor da FAU, fazendo projetos em larga escala por todo o País. Mas o que contava entre as lembranças despertadas pela mostra FAU 70 Anos era a tal jardineira e o Manini estudante, músico, amigo de Chico Buarque, que tocou chibata em Disparada, de Geraldo Vandré e Théo de Barros, interpretada por Jair Rodrigues. “Foi a música do Festival da Record em 1966 que dividiu o primeiro lugar com A Banda, de Chico Buarque”, emenda Minami. A roda de estudantes, funcionários e professores que se formou diante dos retratos, durante a inauguração da exposição no Ceuma, foi aumentando. E uma história emendava outra. Mas e a tal jardineira, para que servia? “Essa jardineira era a alegria dos estudantes. Um caminhão dirigido pelo motorista Benjamin, que tinha o codinome de Lerdo”, recorda Manini. “Na verdade, o veículo era para levar os estudantes para congressos, auxiliar em pesquisas e eventos de importância acadêmica, algo oficial. Mas o pessoal tinha sempre um projeto oficial na cidade de Salvador, em pleno carnaval. E lá íamos nós no caminhão, cruzando cidades, Estados, até fora do País. Fomos em um seminário em Curitiba e fizemos pesquisas na Argentina.” Mas, quando chegaram, Lerdo teve a surpresa de ter o ônibus apreendido, não por culpa dele, mas pela animação dos passageiros. Lembranças da época da jardineira não faltam. O caminhão, com tantas histórias, acabou sendo desativado no início da década de 1970. “Ali estava uma arquitetura nova, espetacular, generosa e coletiva, povoada por colegas amáveis e fraternais.” Em 1969, o curso de graduação foi transferido para o novo prédio construído na Cidade Universitária. “Quando vi o prédio novinho, projetado por Vilanova Artigas, não tive dúvidas. Foi amor à primeira vista. O casamento, uma mera consequência”, conta o professor Bruno Padovano. “Imagine o deslumbramento de quem chegava de escola convencional na África do Sul, num edifício do funcionalismo ortodoxo. Muito bom estar ali, em uma referência na arquitetura moderna brasileira. Decidi ser FAU para sempre.” Padovano continua narrando a sua história. “Além do prédio, apreciei os professores e funcionários, um melhor que o outro. Como agradecer a mestres do nível de Nestor Goulart Reis Filho, Júlio Katinsky e Mario Franco, entre tantos outros, pelas suas magníficas aulas, João Carlos Cauduro e Ludovico Martino, pela sua amizade e receptividade, Siegbert Zanettini, pelos seus traços compartilhados, Joaquim Guedes e sua visão crítica, Élide Monzeglio, pela sua graça e incentivo à expressão livre de uma arquitetura entendida como a arte da construção de seu tempo?” O professor que, hoje, já perdeu a conta dos mestres e doutores que formou, cita a FAU como escola no mais sagrado sentido. “Aberta e multifacetada, consolidou-se numa faculdade capaz de abrigar a busca do conhecimento sobre um tripé, que une ensino, pesquisa e extensão na graduação e pós, tendo formado milhares de alunos nos dois níveis de formação acadêmica: arquitetos e urbanistas, mestres e doutores. Hoje temos alunos e alunas de vários países que tornam o ensinar uma atividade prazerosa, sempre.” Até chegar a 2018, Padovano viu muita água passar debaixo da ponte, como ele mesmo destaca. Mas sempre feliz na correnteza. “São quase 50 anos daquele longínquo 1969, após mais de 40 de atuação docente, com experiências como ter secretariado o Artigas no início dos anos 80, convivido com Paulo Mendes da Rocha, Jon Maitrejean, Giancarlo Gasperini, Abrahão Sanovicz, Eduardo de Almeida, Miguel Pereira, Geraldo Gomes Serra, Paulo Bruna, Benedito Abbud, Issao Minami, Sylvio de Ulhoa Cintra, João de Deus Cardoso, Dalton de Luca, Antonio Carlos Sant’Anna Jr., Rafael Perrone, Francisco Spadoni e tantos outros mestres desta escola, alguns que nos deixaram, outros idosos como eu e jovens como tantos que agora fazem parte de seu corpo docente.” Hoje, a FAU conta com cerca de 1.384 alunos de graduação em seus cursos e com 679 alunos de mestrado e doutorado e é amplamente reconhecida nacional e internacionalmente pela qualidade de seu ensino e sua pesquisa. A história da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, com os seus grandes mestres, artistas, designers, arquitetos, urbanistas e os irreverentes idealistas, está na exposição FAU 70 Anos. Exposição reúne o trabalho de professores, estudantes e funcionários – Foto: Marcos Santos/USP Imagens Exposição conta a história da FAU e da cidade – Foto: Marcos Santos/USP Imagens Professor Bruno Padovano: muitas histórias para lembrar – Foto: Marcos Santos/USP Imagens O historiador e professor Benedito Lima de Toledo e a bibliotecária Suzana Toledo, da FAU: casados há 40 anos – Foto: Marcos Santos/USP Imagens O professor Issao Minami (à direita) e o arquiteto e músico Luís Fernando Manini: lembranças – Foto: Marcos Santos/USP Imagens As professoras Ana Lúcia Duarte Lanna e Ana Castro, curadoras da mostra FAU 70 Anos – Foto: Marcos Santos/USP Imagens A exposição FAU 70 Anos fica em cartaz até 24 de junho, de terça-feira a domingo, das 10 às 18 horas, no Centro Universitário Maria Antonia (Ceuma) da USP (Rua Maria Antonia, 294, Vila Buarque, São Paulo). Entrada grátis. 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Fonte: https://jornal.usp.br/cultura/docentes-lembram-historias-da-faculdade-de-arquitetura-e-urbanismo/

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